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sábado, 30 de abril de 2011

Existir Silencioso

      Conhecemos o mundo que nos cerca de diversas maneiras; construimos a nossa realidade pessoal alicerçada em princípios adquiridos e nela permanecemos de forma cômoda, muitas vezes rechaçando outras formas de existir que não sejam condizentes com a nossa, não acreditando ou até mesmo criticando. Há pessoas que se alimentam de prana, há pessoas que devotaram suas vidas ao silêncio perpétuo, há pessoas que se ofertaram á caridade abdicando de suas vidas pessoais; há pessoas que adotaram uma vida monástica urbana, não abrindo mão de seus relacionamentos pessoais. Não acreditamos nisso quando desafia a realidade que nós construimos, na qual nos enclausuramos. É preciso ousadia para desafiar o convencional e aceitar outras formas de se mover e estar nesse mundo pois isso inclui ser percebido de uma forma diferente por todos que nos cercam e cujas realidades nas quais se movem e tem seu ser são muito mais restritas.
      Por exemplo, acreditamos que para existir e estar nesse mundo precisamos de contatos, e para contatos, precisamos da fala. Então, assim, temos o que está nítido na sociedade de hoje, uma verdadeira poluição sonora composta de ruídos, murmúrios, comentários, fofocas, pessoas que querem expor suas vidas aos outros, pessoas trocando informações, pessoas compartilhando sobre a vida de terceiros, enfim, é o que a maioria acredita ser o normal. É o que a maioria conhece. Não passa disso. Não vai além. Pessoas que tem a necessidade de estilhaçar qualquer instante de silêncio com sons metálicos e estridentes e assim permanecer na superfície de si mesmas.

      Do que você estaria disposto a abrir mão se soubesse que isso enriqueceria sua vida de uma maneira grandiosa? Eu abri mão do falar em excesso. O silêncio formou uma base para me fornecer tempo e o es­paço para refletir sobre o tipo de vida que quero ter e como quero vivê-la. Na verdade, pro­vou ser a mais quieta das revoluções. Ele me ensi­nou a ouvir, e assim ouço a música da minha vida.
      Como a proposta desse blog é de práticas e vivências e menos teoria que pode ser adquirida em milhares de fontes seguras, vamos ás dicas práticas sobre essa oferta a algo que talvez para  nós possa ser até novidade: o Silêncio. Repasso algumas dicas de Anne LeClaire, romancista e autora de Ouvindo o Ruído, comentando em seguida.


Experimente o poder restaurador do silêncio nas formas simples do seu dia:
* Convide sua família para acompanhá-lo em uma refeição em silêncio. Já repararam como as pessoas insitem em descrever as situações mais inóspitas na hora das refeições?
* Tire um dia sabático sem e-mail, telefones, rádio e TV. Nossas vidas vem sendo totalmente dedicadas a esse clamor tecnológico e ao chegar em casa após um dia exaustivo, vamos para a frente da TV ou da internet para "relaxar"; reparem no seu conceito de relaxamento.
* Encontre um labirinto e caminhe em silêncio. Caminhar em solitude pela natureza, curtindo o ser livre de obrigações.
* Comprometa-se com um dia sem fala. Prepare a família e amigos antes do tempo para que eles saibam o que esperar. Adotar uma nova realidade significa muitas vezes desafiar a realidade pela qual as outras pessoas se movem, e para isso ás vezes é preciso firmeza no que se está buscando; outra dica é procurar um refúgio adequado para esse dia.
* Por um dia, realize tarefas domésticas ou jardinagem em silêncio; lembro-me dos dias da infância amada onde minha mãe ouvia música para limpar a casa e fazer as tarefas domésticas; realmente não gostamos do silêncio.
* Dedique algumas horas a sós na natureza. 

Trago aqui gentilmente as palavras do professor de yoga João Vieira, coordenador da Nazaré Uniluz, em Nazaré Paulista (SP):

Como levar os espaços mentais proporcionados pelo silêncio no dia a dia?
Pequenos detalhes fazem a diferença: evite ligar a televisão, o rádio e mesmo ouvir música enquanto faz outras atividades em casa ou no tra­balho, o que se traduz em atenção plena naquilo que se está fazendo. Quando resolver escutar um CD ou assistir à TV, dedique-se inteiramen­te a essas atividades também. Assim, os momentos de contato com essas mídias serão menores, porém mais significativos, criando gradualmente momentos maiores de silêncio em sua vida.

Quais são os benefícios proporcionados pelo silêncio?
Podemos falar basicamente em autoconhecimento. No geral, o silêncio é doloroso no começo, uma vez que estamos acostumados ao barulho e às solicitações externas. Muitas vezes não queremos estar sozinhos conosco em função de justamente não querermos resolver questões internas. O silêncio pode nos mostrar que precisamos de ajuda terapêutica, quando não consegui­mos controlar o turbilhão mental que existe e que normalmente abafa­mos com ruídos externos.

Como ter mais silêncio na vida?
Uma vez que em nossas vidas cotidianas o telefone, parentes e amigos irão dificultar o desafio do silêncio, a melhor técnica seria buscar um local onde se praticam retiros desse tipo, com toda a orientação necessária para iniciantes. Uma vez de volta ao dia a dia, mais importante do que não falar é valorizar cada palavra pronunciada, desco­brindo nela o sagrado.

Vejo o Silêncio como mero mutismo se ficar apenas no nível do não falar, sem expressar silêncio no pensar, no sentir, no amar, no desejar, no expressar. Silêncio deve ser algo personificado pela essência interna de cada ser, não apenas com o propósito de restaurar a mente mas também um meio de nos ofertarmos a uma forma de vida mais sutil e leve que ainda não conhecemos.

Namastê carinhoso a todos que visitam este singelo espaço.

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